Sinais magnéticos que fortalecem a memória

Estudo afirma que os benefícios da estimulação magnética transcraniana podem durar mesmo após a conclusão do tratamento

A estimulação magnética transcraniana (ETM) pode ajudar a evitar a perda de memória. É o que afirma um novo estudo publicado na Science, que submeteu participantes à terapia. Enquanto os voluntários recebiam os estímulos magnéticos no cérebro, os pesquisadores fizeram com que aprendessem associações simples (como uma palavra aleatória e uma imagem). Depois disso, se mostraram mais capazes de memorizar novas associações, mesmo dias e semanas mais tarde, sem a necessidade de passar pelo procedimento mais vezes.

A ETM utiliza uma bobina magnética posicionada na cabeça para estimular a sinalização elétrica em regiões superficiais do cérebro.  Estudos anteriores descobriram que a técnica pode aprimorar a cognição e memória durante a estimulação, mas esse é o primeiro a mostrar que esses ganhos podem durar mesmo após a conclusão do tratamento.

No estudo, pesquisadores da Universidade North-western utilizaram previamente a tecnologia de ressonância magnética para identificar, em 16 jovens adultos saudáveis, quais áreas do cérebro estariam relacionadas à memória associativa. “Localizado em torno do hipocampo, esse circuito une, por exemplo, informações relacionadas a lugares, sons e tempo para formar uma memória”, explica o neurocientista Joel Voss, principal autor da pesquisa.  Em seguida, os cientistas aplicaram a TMS atrás da orelha esquerda, onde foi identificado o circuito, de cada voluntário, durante 20 minutos, por cinco dias consecutivos, na intenção de excitar essa rede de memória. Para testar o resultado, um dia após o término do ciclo de estimulação, os participantes passaram por um teste que media a capacidade de associar palavras aleatórias com rostos. Aqueles submetidos à ETM se saíram 33% melhor em comparação com o grupo de controle que recebeu estimulação simulada (chamada de sham).

“Vinte e quatro horas podem não parecer tanto assim, mas, tratando-se de afetar o cérebro, de fato, é bastante tempo”, argumenta Voss. Sua equipe acompanhou os participantes por aproximadamente 15 dias e observou que os ganhos permaneceram. Também avaliaram o cérebro dos voluntários por meio de exames de imagem após um dia e, novamente, depois de duas semanas da estimulação e observaram aumento na conectividade neural da rede de memória associativa. Agora, Voss planeja testar se o método funciona em pessoas com doenças que enfraquece esse circuito, como Alzheimer, traumatismo cranioencefálico e esquizofrenia.

Este artigo foi publicado originalmente na edição de outubro de Mente e Cérebro, disponível na Loja Segmento: http://bit.ly/1N5FOYm